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Eleitorado jovem encolhe 22% em 16 anos e perde força nos maiores colégios eleitorais do país
Política

Eleitorado jovem encolhe 22% em 16 anos e perde força nos maiores colégios eleitorais do país

Última atualização: 15 de Agosto, 2026 10:51
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 Paulo Pinto/Agência Brasil.
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Brasília (DF) – O perfil de quem decide as eleições no Brasil está mudando rápido. Entre 2010 e 2026, o número de eleitores com idade entre 16 e 24 anos encolheu 22%. Essa retração, impulsionada pelo envelhecimento geral da população, representa uma perda líquida de 5,5 milhões de jovens aptos a votar. O contingente nessa faixa etária, que era de 24,7 milhões, recuou para 19,2 milhões. As conclusões são de um levantamento feito pelo Instituto Nexus com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Enquanto a base jovem diminui, o eleitorado total do país seguiu o caminho inverso, expandindo-se em 17% no mesmo período — de 135,8 milhões para 158,8 milhões de cidadãos cadastrados. Essa combinação fez com que a representatividade dos mais novos despencasse de 18,2% para 12,5% do total de votantes. Na outra ponta da pirâmide, o grupo de eleitores com 60 anos ou mais disparou 74% desde 2010, somando hoje mais de 36,8 milhões de pessoas.

Para o cientista político Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, esse movimento redesenha o tabuleiro das campanhas. Ele lembra que a disputa presidencial de 2022 foi definida por uma margem estreita, inferior a 2 milhões de votos. Em um cenário de polarização intensa, cada voto se torna crucial, mas o peso relativo da juventude vem definhando frente ao avanço do eleitorado maduro.

A busca por engajamento além dos números

Apesar da perda de relevância numérica, os jovens ainda detêm uma moeda valiosa: a capacidade de mobilização digital. Hilton Fernandes, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), pondera que os partidos ainda tateiam sobre como abordar esse público nas próximas eleições. Em pleitos anteriores, a aproximação ocorreu de forma indireta, por meio de pautas específicas como o mercado de jogos eletrônicos e incentivos fiscais para tecnologia, mirando muito mais a energia de engajamento do que o volume absoluto de votos nas urnas.

O comportamento eleitoral desse grupo, contudo, longe de ser homogêneo, é moldado por urgências práticas, como o acesso ao primeiro emprego e a formação profissional. Fernandes aponta que o eleitor jovem costuma ser mais receptivo a discursos personalistas e narrativas que prometem rupturas profundas. No entanto, ele adverte que propostas excessivamente radicais podem seduzir esse eleitorado sem necessariamente oferecer soluções estruturais viáveis. A realidade econômica familiar e o conservadorismo do meio social em que vivem são fatores determinantes para calibrar se o voto tenderá para a mudança ou para a preservação.

Comparecimento e o novo mapa do voto

Mesmo sem a obrigatoriedade do voto, a juventude demonstra um engajamento surpreendente nas urnas. Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, a taxa de comparecimento no primeiro turno da última eleição atingiu 82,9% — um índice superior à média nacional de 79,1%. Para os jovens de 18 a 24 anos, sob voto obrigatório, a presença foi de 78,5%.

Geograficamente, a perda de força desse grupo é mais severa nos principais colégios eleitorais do país, situados no Sul e no Sudeste. O Rio Grande do Sul lidera como o estado com o eleitorado mais envelhecido: apenas 9% dos votantes têm até 24 anos. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 10%, e São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina, todos com 11%. O contrapeso está no Norte e Nordeste. Estados como Roraima, Acre, Amapá e Amazonas lideram com 18% de representação jovem, seguidos por Maranhão (17%), Pará (16%) e Tocantins (16%), consolidando o que especialistas chamam de uma nova geografia eleitoral brasileira.

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