Brasília (DF) – Especialistas vinculados à ONU manifestaram preocupação com a integridade do processo eleitoral brasileiro no que diz respeito às plataformas de tecnologia. Em um documento recente, o grupo aponta indícios de que o ecossistema da Meta — que engloba Instagram, Facebook e WhatsApp — teria imposto restrições desproporcionais à livre expressão durante o ciclo eleitoral de 2026. A observação internacional sugere que a balança do debate digital não esteve equilibrada, com danos significativos ao alcance e à visibilidade de uma das candidaturas em disputa.
O diagnóstico dos observadores se baseia em episódios concretos, como a interrupção repentina de perfis de campanha e uma queda acentuada nas métricas de engajamento de conteúdos políticos. O cenário é agravado pela suspensão em massa de contas de jornalistas, influenciadores e criadores de conteúdo que, majoritariamente, compunham um mesmo espectro ideológico. Essas ações levantaram questionamentos sobre a neutralidade dos algoritmos de moderação da companhia.
O NetLab, laboratório da UFRJ dedicado ao estudo da internet, reforçou a tese de falta de isenção. Em uma análise própria, o órgão contestou critérios utilizados pela Meta para remover perfis de Luiz Inácio Lula da Silva sob a justificativa de combate a notícias falsas, enquanto conteúdos de teor similar, mas de origens distintas, permaneciam ativos. O laboratório também relatou falhas críticas de governança, citando casos em que propaganda eleitoral paga foi veiculada a partir do exterior durante o período de resguardo eleitoral, algo vedado pelas normas vigentes.
A tensão ganhou contornos jurídicos na última semana, quando a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O estopim foi uma falha identificada na inteligência artificial do WhatsApp: usuários notaram que a ferramenta se recusava a gerar imagens que contivessem o nome “Lula” ou o número “13”, enquanto processava pedidos similares com os termos “Flávio” e “22”. A defesa do PT argumenta que houve uma “seletividade algorítmica” deliberada para favorecer o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
Em resposta aos questionamentos levantados pelos especialistas da ONU, a Meta declarou que seus aplicativos são ambientes de livre expressão e que não há qualquer diretriz para priorizar ou prejudicar posicionamentos políticos. A empresa classificou as irregularidades citadas como eventuais incidentes técnicos inerentes a uma plataforma de escala global. Segundo a companhia, tais falhas não refletem uma postura corporativa e a correção é feita prontamente sempre que erros são detectados. Sobre as denúncias do NetLab, a Meta pontuou que mantém políticas rígidas de remoção contra qualquer material que utilize programas públicos para aplicar golpes ou fraudar usuários.
