Brasília (DF) – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou pública, nesta sexta-feira (9), uma série de ameaças explícitas de agressão física e homicídio direcionadas a membros da Corte. O material, que compõe um relatório de segurança interno da própria instituição, traz o registro de milhares de mensagens encontradas na rede que sugerem desde fuzilamentos até o esquartejamento de magistrados.
As capturas de tela foram compartilhadas por Dino em sua conta verificada no Instagram. Em um dos trechos, o autor de uma postagem — cujo nome foi preservado com uma tarja — afirma que o ministro seria o primeiro a ser executado, utilizando como justificativa as recentes restrições impostas ao acesso a armamentos. Outra mensagem, de teor ainda mais gráfico, incita a invasão do prédio do STF para, segundo o texto, replicar o tratamento dado a Tiradentes contra os ministros Alexandre de Moraes, Zanin e o próprio Dino, sugerindo a exposição de cabeças em praça pública.
A reação do ministro ao conteúdo foi de firmeza. Segundo ele, o volume de ataques é fruto direto da disseminação persistente de inverdades, projetadas para instigar episódios de violência. Dino pontuou que a discordância com decisões judiciais possui caminhos formais — como os recursos aos órgãos competentes — e que a incitação ao assassinato de juízes representa um ataque à estrutura democrática.
Ao comentar o impacto das intimidações, o ministro descartou qualquer recuo em suas funções. Com 37 anos de trajetória como servidor público, ele afirmou que não possui antecedentes criminais e que suas decisões não serão afetadas pelo medo ou pela tentativa de cerceamento. Para ele, a própria existência do Poder Judiciário e da Constituição Federal está em jogo quando um magistrado passa a temer as consequências de seu ofício.
O fenômeno de hostilidades contra os membros do STF não é recente. O cenário de ameaças, que frequentemente estende-se a familiares dos magistrados, é monitorado formalmente desde 2019. Naquele período, o então presidente do tribunal, Dias Toffoli, deu início ao chamado Inquérito das Fake News, um processo que permanece em curso justamente para rastrear a origem e os responsáveis por essas ofensivas virtuais e físicas.
A publicação dos documentos, na visão do ministro, serve como um lembrete do clima de tensão que cerca a Corte. Embora os ataques visem desestabilizar a atuação do tribunal, a resposta oficial, reiterada por Dino, é de que a rotina de trabalho dos magistrados seguirá inalterada, recusando-se a ceder a discursos que buscam substituir o debate jurídico pela violência direta.
