Rio de Janeiro (RJ) – O governo do Rio de Janeiro recebeu autorização judicial para assumir, em caráter temporário, o controle do Várzea Country Clube, localizado na capital, e da Pousada Menino do Rio, em Búzios. A decisão foi assinada pelo juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa, após provocação do Ministério Público estadual.
Por trás da medida, existe um rastro financeiro complexo. Investigações conduzidas pela polícia fluminense identificaram que os dois endereços serviam como peça central em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou aproximadamente R$ 11 milhões. Os recursos, segundo as apurações, têm origem direta nas atividades ilícitas do tráfico de drogas.
Para o magistrado, o sequestro e a posse provisória do Estado são caminhos necessários para garantir que os bens não caiam no abandono ou sofram degradação patrimonial enquanto o processo judicial segue seu curso. A ideia central é dar aos locais uma finalidade pública, impedindo que permaneçam como braços logísticos de facções.
No caso do Várzea Country Clube, a transição é imediata. O imóvel, que teria caído sob o domínio do Comando Vermelho em 2023, funcionava como ponto de encontro e palco para bailes da facção. Agora, a expectativa é que a estrutura de lazer possa beneficiar cerca de 70 mil moradores dos bairros de Água Santa, Piedade e Quintino Bocaiúva.
A situação da Pousada Menino do Rio exige cautela. Por manter operações hoteleiras em vigor, a ocupação pelo Estado será feita de forma escalonada. O juiz estabeleceu que o poder público deve elaborar um plano detalhado para evitar o fechamento abrupto, garantindo a reacomodação dos hóspedes e a preservação dos direitos trabalhistas dos funcionários que atuam no local.
A Procuradoria-Geral do Estado dispõe agora de um prazo de 30 dias para indicar quais órgãos ficarão incumbidos da administração dos espaços. A determinação judicial aponta uma preferência clara: a prioridade na destinação das instalações deve ser da Polícia Civil. O objetivo é transformar locais antes ocupados por interesses criminosos em ativos sob tutela do Estado.
