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STF anula absolvição de empresário acusado de estuprar Mariana Ferrer em caso de 2018
Justiça

STF anula absolvição de empresário acusado de estuprar Mariana Ferrer em caso de 2018

Última atualização: 19 de Junho, 2026 0:27
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 Antônio Augusto/STF
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Brasília (DF) – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na última quinta-feira (18) invalidar todo o curso processual que havia resultado na absolvição de André de Camargo Aranha. O empresário era acusado de estuprar a influenciadora digital Mariana Ferrer em 2018, dentro da boate Café de La Musique, em Florianópolis. A determinação da Corte agora força o retorno do caso à esfera da Justiça estadual catarinense, impondo ainda o afastamento obrigatório do juiz e do promotor que atuaram na condução original do inquérito.

A reviravolta jurídica atende ao recurso apresentado pela defesa da influenciadora, que denunciou o clima de humilhação imposto durante a audiência de instrução. Imagens registradas em 2020 mostram o momento em que o defensor de Aranha expõe fotos e questiona a vida sexual de Mariana, uma cena que gerou indignação nacional ao viralizar nas redes sociais.

O relator do recurso, Alexandre de Moraes, foi enfático ao sustentar que o tratamento dispensado à vítima configurou revitimização e conduta cruel. Em seu voto, o ministro foi além do aspecto formal, questionando a postura omissa das autoridades presentes no recinto. Para Moraes, a ausência de intervenção do promotor sugere uma omissão grave, classificando a audiência como uma violação direta aos direitos fundamentais de quem buscou justiça.

A votação contou com o respaldo de outros sete ministros: Nunes Marques, Dias Toffoli, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Luiz Fux. A crítica ao desempenho do sistema de justiça catarinense foi severa entre os integrantes da Corte. Fux chegou a questionar a aptidão do magistrado Rudson Marcos para o exercício da magistratura. No mesmo tom, Cármen Lúcia qualificou a postura do juiz como um atentado à constituição, destacando o medo que afasta tantas mulheres de denunciarem agressões sexuais.

O presidente do STF, Edson Fachin, formalizou a decisão unânime ao ordenar que todos os atos processuais subsequentes à audiência — incluindo as sentenças proferidas em primeira e segunda instância — sejam desconsiderados. O novo trâmite deverá contar com um substituto para o magistrado e um novo membro do Ministério Público, garantindo a retomada imediata do processo.

O impacto do episódio ultrapassou as salas de audiência. Em 2021, o debate público motivado pelo caso impulsionou a sanção da Lei Mari Ferrer, que estabelece punições específicas para atos que atentem contra a dignidade de vítimas em processos judiciais. Paralelamente, o juiz Rudson Marcos foi alvo de uma advertência administrativa aplicada pelo Conselho Nacional de Justiça, em 2023, um desdobramento que reforça a gravidade da conduta observada no caso agora reaberto.

MARCADOAndré de Camargo Aranhadireitos das mulheresJustiçaMariana Ferrerstf
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